Dra. Soraya Sbardellotto – Gastroenterologista e Endoscopista Digestiva em
Taguatinga, Brasília-DF

Disbiose intestinal e sintomas do desequilíbrio da microbiota intestinal

A disbiose intestinal é uma condição cada vez mais comum na prática clínica e, ao mesmo tempo, ainda pouco compreendida por muitos pacientes. Ela ocorre quando há um desequilíbrio na microbiota intestinal — ou seja, na comunidade de microrganismos que habitam o intestino e exercem funções fundamentais para a saúde

Como médica gastroenterologista e endoscopista digestiva, com atuação em Brasília e referência no acompanhamento de pacientes com doenças digestivas complexas, observo com frequência que muitos sintomas persistentes podem estar diretamente relacionados à disbiose intestinal — mesmo quando exames iniciais são considerados “normais”.

Entender o que é a disbiose intestinal, como ela se manifesta e quando deve ser investigada é um passo essencial para recuperar o equilíbrio do organismo e a qualidade de vida.

O que é disbiose intestinal?

Ela é caracterizada pela alteração do equilíbrio da microbiota intestinal, que é composta por trilhões de bactérias, fungos e outros microrganismos que vivem em simbiose com o nosso corpo.

Em condições normais, essa microbiota atua de forma harmônica, contribuindo para:

  • Digestão e absorção de nutrientes
  • Produção de vitaminas
  • Regulação do sistema imunológico
  • Proteção contra agentes patogênicos
  • Manutenção da integridade da mucosa intestinal

Quando esse equilíbrio é rompido — seja por redução de bactérias benéficas ou crescimento excessivo de microrganismos potencialmente nocivos — ocorre a disbiose intestinal. Esse desequilíbrio pode gerar não apenas sintomas digestivos, mas também repercussões sistêmicas, afetando o metabolismo, a imunidade e até o bem-estar geral.

Quais são os principais sintomas da disbiose intestinal?

Seus sintomas podem variar bastante, dependendo do tipo de desequilíbrio presente. No entanto, alguns sinais são bastante frequentes:

  • Distensão abdominal (barriga estufada)
  • Excesso de gases
  • Dor ou desconforto abdominal
  • Diarreia ou constipação
  • Alternância do hábito intestinal
  • Sensação de digestão lenta
  • Intolerâncias alimentares
  • Fadiga e sensação de mal-estar

Em muitos casos, o paciente convive com esses sintomas por meses ou anos, acreditando que fazem parte da sua rotina — o que não é normal.

Disbiose bacteriana: quando há crescimento excessivo de bactérias

Um dos tipos mais comuns de disbiose intestinal é a disbiose bacteriana, frequentemente associada ao crescimento excessivo de bactérias no intestino delgado (condição conhecida como supercrescimento bacteriano). Esse quadro pode levar a:

  • Produção excessiva de gases
  • Distensão abdominal importante
  • Dor abdominal
  • Diarreia ou constipação
  • Má absorção de nutrientes

Pacientes com esse tipo de disbiose frequentemente relatam piora dos sintomas após refeições, especialmente com alimentos fermentáveis.

Disbiose fúngica: o papel da Candida

Outro tipo relevante de disbiose intestinal é a disbiose fúngica, geralmente associada ao crescimento excessivo de leveduras, como a Candida.

Esse desequilíbrio pode estar relacionado a fatores como:

  • Uso frequente de antibióticos
  • Dietas ricas em açúcar
  • Estresse crônico
  • Alterações imunológicas

Os sintomas podem incluir:

  • Distensão abdominal
  • Desconforto digestivo
  • Alterações do hábito intestinal
  • Fadiga
  • Candidíase de repetição
  • Alterações de pele

Esse tipo de disbiose muitas vezes passa despercebido, exigindo uma avaliação clínica cuidadosa.

Disbiose por arqueias: relação com constipação

As arqueias são microrganismos menos conhecidos, mas com importância crescente na gastroenterologia.

Na disbiose intestinal por arqueias, há aumento de organismos produtores de metano, o que pode levar a:

  • Constipação intestinal
  • Sensação de estufamento persistente
  • Trânsito intestinal lento

Esse perfil é frequentemente observado em pacientes com intestino preso de difícil controle.

Disbiose por sulfeto de hidrogênio: um subtipo importante

Outro tipo de disbiose intestinal é aquele associado à produção excessiva de sulfeto de hidrogênio (H₂S).

Esse gás, em excesso, pode ser prejudicial à mucosa intestinal, levando a:

  • Distensão abdominal importante
  • Gases com odor mais intenso
  • Dor abdominal
  • Diarreia
  • Piora com alimentos ricos em enxofre

Esse subtipo nem sempre é identificado nos exames tradicionais, o que reforça a importância da avaliação médica especializada.

Quais são as causas da disbiose intestinal?

A disbiose intestinal é uma condição multifatorial. Entre as principais causas, destacam-se:

• Alimentação rica em ultraprocessados e pobre em fibras

  • Uso frequente de antibióticos
  • Uso prolongado de medicamentos como anti-inflamatórios e inibidores de acidez gástrica
  • Estresse crônico
  • Distúrbios do sono
  • Doenças gastrointestinais
  • Alterações imunológicas

Na prática clínica, é comum que mais de um desses fatores esteja presente.

Como é feito o diagnóstico da disbiose intestinal?

O diagnóstico da disbiose intestinal é essencialmente clínico, baseado em uma avaliação detalhada da história do paciente, dos sintomas e dos fatores de risco.

Em alguns casos, exames complementares podem ser utilizados, como:

  • Testes respiratórios
  • Exames laboratoriais específicos
  • Avaliação endoscópica, quando indicada

A interpretação desses exames deve sempre ser feita dentro do contexto clínico.

Qual o tratamento?

O tratamento da disbiose intestinal deve ser individualizado e direcionado ao tipo de desequilíbrio identificado. Ele pode incluir:

  • Ajustes alimentares personalizados
  • Modulação da microbiota intestinal
  • Uso criterioso de probióticos e prebióticos
  • Tratamentos específicos para redução de microrganismos em excesso
  • Correção de fatores associados (como estresse e hábitos de vida)

É importante destacar que o tratamento vai muito além do uso isolado de probióticos. A condução adequada exige acompanhamento médico especializado, com estratégia estruturada para restaurar o equilíbrio da microbiota.

Quando procurar um gastroenterologista?

Se você apresenta sintomas digestivos persistentes, como distensão abdominal, gases, alterações do intestino ou intolerâncias alimentares, é importante procurar avaliação especializada. A disbiose intestinal é uma condição tratável, mas que exige diagnóstico correto e abordagem individualizada.

Avaliação especializada em Brasília

Como gastroenterologista e endoscopista digestiva em Brasília, com atuação também na formação de médicos residentes, acompanho pacientes com diferentes formas de disbiose intestinal, desde quadros mais leves até casos mais complexos. A avaliação adequada permite não apenas identificar a causa dos sintomas, mas também estabelecer um plano de tratamento seguro, eficaz e baseado em evidências.

Conclusão: equilíbrio intestinal é saúde.

A disbiose intestinal não deve ser negligenciada. Sintomas digestivos frequentes não são normais e podem ser sinais de que algo no seu organismo precisa de atenção. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado permitem restaurar o equilíbrio intestinal, melhorar a qualidade de vida e prevenir complicações futuras.

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