
A disbiose intestinal é uma condição cada vez mais comum na prática clínica e, ao mesmo tempo, ainda pouco compreendida por muitos pacientes. Ela ocorre quando há um desequilíbrio na microbiota intestinal — ou seja, na comunidade de microrganismos que habitam o intestino e exercem funções fundamentais para a saúde

Neste artigo você vai entender:
Como médica gastroenterologista e endoscopista digestiva, com atuação em Brasília e referência no acompanhamento de pacientes com doenças digestivas complexas, observo com frequência que muitos sintomas persistentes podem estar diretamente relacionados à disbiose intestinal — mesmo quando exames iniciais são considerados “normais”.
Entender o que é a disbiose intestinal, como ela se manifesta e quando deve ser investigada é um passo essencial para recuperar o equilíbrio do organismo e a qualidade de vida.
O que é disbiose intestinal?
A disbiose intestinal é caracterizada pela alteração do equilíbrio da microbiota intestinal, que é composta por trilhões de bactérias, fungos e outros microrganismos que vivem em simbiose com o nosso corpo.
Em condições normais, essa microbiota atua de forma harmônica, contribuindo para:
- Digestão e absorção de nutrientes
- Produção de vitaminas
- Regulação do sistema imunológico
- Proteção contra agentes patogênicos
- Manutenção da integridade da mucosa intestinal
Quando esse equilíbrio é rompido — seja por redução de bactérias benéficas ou crescimento excessivo de microrganismos potencialmente nocivos — ocorre a disbiose intestinal. Esse desequilíbrio pode gerar não apenas sintomas digestivos, mas também repercussões sistêmicas, afetando o metabolismo, a imunidade e até o bem-estar geral.
Quais são os principais sintomas da disbiose intestinal?
Os sintomas da disbiose intestinal podem variar bastante, dependendo do tipo de desequilíbrio presente. No entanto, alguns sinais são bastante frequentes:
- Distensão abdominal (barriga estufada)
- Excesso de gases
- Dor ou desconforto abdominal
- Diarreia ou constipação
- Alternância do hábito intestinal
- Sensação de digestão lenta
- Intolerâncias alimentares
- Fadiga e sensação de mal-estar
Em muitos casos, o paciente convive com esses sintomas por meses ou anos, acreditando que fazem parte da sua rotina — o que não é normal.
Disbiose bacteriana: quando há crescimento excessivo de bactérias
Um dos tipos mais comuns de disbiose intestinal é a disbiose bacteriana, frequentemente associada ao crescimento excessivo de bactérias no intestino delgado (condição conhecida como supercrescimento bacteriano). Esse quadro pode levar a:
- Produção excessiva de gases
- Distensão abdominal importante
- Dor abdominal
- Diarreia ou constipação
- Má absorção de nutrientes
Pacientes com esse tipo de disbiose frequentemente relatam piora dos sintomas após refeições, especialmente com alimentos fermentáveis.
Disbiose fúngica: o papel da Candida
Outro tipo relevante de disbiose intestinal é a disbiose fúngica, geralmente associada ao crescimento excessivo de leveduras, como a Candida.
Esse desequilíbrio pode estar relacionado a fatores como:
- Uso frequente de antibióticos
- Dietas ricas em açúcar
- Estresse crônico
- Alterações imunológicas
Os sintomas podem incluir:
- Distensão abdominal
- Desconforto digestivo
- Alterações do hábito intestinal
- Fadiga
- Candidíase de repetição
- Alterações de pele